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Manifesto/Protesto – UEMA Maio 12, 2009

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QUEBRADO O JIRAU DA LITERATURA DO PARÁ

 Com profunda indignação, a União dos Escritores da Amazônia – UEAma-,  protesta publicamente contra   mais um golpe desfavorável  à  Literatura Paraense e à cultura amazônica, com a não realização do II Jirau da Literatura Paraense , previsto para acontecer nos dias 28, 29 e 30 de  Maio, no hall Ismael Nery, do Centur  e inviabilizado em razão do Governo do Estado  proceder o corte injustificável, inexplicável e incoerente  no orçamento da Fundação Cultural do Pará Tancredo  Neves – Centur, que se responsabilizou pela sua execução.

Os escritores paraenses lamentam que o poder público desrespeite e despreze  a Literatura do Pará, quando sua função e obrigação  é   estimular e incentivar a produção literária local -,   que luta contra um monte de adversidades e dificuldades de toda ordem, sobretudo  de produção das obras,  também de espaço ao livro e de acesso à  leitura -,    garantindo escolas e bibliotecas a todos, sobretudo ao  povo pobre  que vive distante dos livros e  sem acesso aos bens culturais , direito que deveria ser bancado pelo Estado, viabilizando as iniciativas populares da sociedade que gera a cultura e vive  sem equipamentos culturais  procurando desfazer o   enorme  preconceito  e abandono endógeno e exógeno que, em razão disso, não tem conseguido ultrapassar as fronteiras do Estado, apesar da qualidade de sua produção  não apenas literária, mas em todas as frentes artísticas.

O Jirau, idéia dos escritores da  UEAma, objetiva valorizar o escritor local e sua produção, sobretudo do autor que, morando no interior, tem menos chance de mostrar o que produz , numa mobilização  cultural  democrática e desvinculada de qualquer cor político partidária, visando a interconexão  entre escritor e público para criar  sociedade desenvolvida para  o  progresso sócio educacional e cultural de nossa gente parauara.

Em respeito aos colegas escritores da capital e do interior que  se preparavam para mostrar sua produção literária e ao público que estava em expectativa em participar do importante evento, fazemos este comunicado como forma de protesto  civilizada e responsavelmente contra  a falta de políticas publicas de apoio e incentivo à cultura local, contando com o apoio  e a solidariedade dos  colegas produtores culturais das demais vertentes da arte e da sociedade paraense, para mostrar nossa indignação diante do descaso e do desprezo com a cultura aqui produzida, que, ao que parece, virou mesmo, palavrão.

Belém, 01 de maio de 2009 – Dia do Trabalhador da Cultura.

Pela UEAma  – União dos Escritores  da Amazônia:

Salomão Larêdo, Walcyr Monteiro e João de Castro

É O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA* Janeiro 27, 2009

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Começa salvar-se o patrimônio cultural cametaense?

 

 

Salomão Larêdo

 

Escritor e Jornalista

Especial para o Magazine

 

Não é referência ao livro quase homônimo do escritor colombiano Nobel de Literatura de 1982 ,  Gabriel Garcia Marques – O amor nos tempos do cólera – e,  sim o amor, a consciência  cultural e o profissionalismo das técnicas do Sistema Integrado de Museus e Memoriais – SIM – que foram salvar , em  Cametá,  a imponente e importante tela   Cólera Morbus” – , feita em 1858, por Constantino Pedro da Mota Chaves, retratando a grande epidemia do final do século XIX  quase dizimando aquela cidade sob o olhar de seu filho cametaense Ângelo Custódio Corrêa,  presidente da Província  do Pará   que também morreu vitimado pelo cólera contraído  em Cametá  - que se deteriorava  em meio as goteiras no prédio onde por muitos anos funcionou o Museu Histórico da cidade.

Cametá, nesse sentido é quase Macondo -  a aldeia do  livro   “ Cem Anos de Solidão”  com que Gabo ganhou o Nobel, em 1982 – , se  não se apressar em  preservar seu enorme patrimônio histórico e cultural, também lingüístico. Cidade que já foi capital de Belém  assiste desaparecer suas primeiras  ruas tragadas pelo rio Tocantins,  e,  se não fosse  a competência da equipe do SIM/Secult , liderada por sua diretora Renata Maués que é expert  em restauração, estaríamos hoje também  sem  esse móvel  memorial de nossa identidade.

Há alguns dias Renata Maués, diretora do SIM,  a diretora do Museu de Arte Sacra de Belém , Zenaide de  Paiva e  a técnica em conservação e restauro Alcione Ribeiro,  às expensas do governo do estado, viajaram até Cametá e durante três dias avaliaram a situação  da tela em questão e  deram conta da tarefa: salvar aquele patrimônio.

No antigo espaço fétido e impróprio que abrigava o museu,as técnicas começaram o processo de higienização da tela reatando ao  chassi que estava se despreendendo. Depois, procederam a retirada  da tela  da moldura encupizada , fazendo o faciamento na lona  para evitar que a policromia se perca.

Tarefa árdua em razão da  ausência de suporte material inexistente em Cametá, porém, ao cabo dos três dias, a tela estava bem acondicionada  e  pronta para ser transportada para  novo espaço destinado a abrigar as peças do que poderá ser novamente o Museu Histórico de Cametá.

Presentemente Renata explica que está procurando estabelecer os termos do convênio entre a Secult e a prefeitura Municipal de Cametá para que seja assinado  pelo titular da Secult, Edílson Moura e pelo prefeito de Cametá Waldoly Valente,  documento  de cooperação técnica  para que , em primeiro lugar e de forma urgente, seja feito o transporte da tela com todo o cuidado e precaução, de Cametá para o laboratório de restauro da Secult, em Belém.O  atual dirigente do MHC, folclorista Manuel Valente, confirmou à Renata Maués que  a tela  foi  finalmente transferida paro espaço do atual museu, o prédio da antiga  Câmara, reformado.

A restauração da tela demandará, calcula  Renata, entre oito a onze  meses  a um  custo está sendo  calculado para  orçamento que   terá a participação do Governo do Estado e  a contrapartida  da Prefeitura de Cametá.

É vontade da diretora do SIM – Sistema Integrado de Museu e Memoriais-, que a tela, após restaurada, fique exposta no Museu do Estado do Pará,  em Belém durante três  meses e depois siga para integrar o acervo pictórico do  Museu Histórico de Cametá que deve passar por uma completa  readaptação e remodelação em sua estrutura física e administrativa com espaço para tratamento das peças, muitas hoje,conforme se ouve falar,  espalhadas  em diversos locais de particulares, na cidade, justamente por absoluta falta de espaço condigno para abrigá-las no antigo prédio do museu.

Levantamento e sistematização  das peças e de todo acervo será  feito e deverá ser publicado catálogo  de tudo   que foi restaurado. Embora haja notícias de que muito material  tenha sido extraviado, os técnicos  têm esperança de  recuperá-los   integrando-os  ao patrimônio cultural  dos cametaenses.

Muito embora ainda vá ser feito o teste de pigmentação, a tela, para a restauradora  Renata Maués,  pintada por Constantino Chaves,  foi feita  a  óleo. Informa também que a história do  artista  pintor  e da tela  já está sendo  levantada.  Calcula que em Janeiro de 2010  a tela deverá ser exposta  em toda a sua beleza, em Belém.

O museu de Cametá durante muitos anos foi dirigido pelo santeiro, escultor, pesquisador e historiador Raymundo Penafort, homem sério que fez todo o possível para manter funcionando, mesmo sem recursos e sem apoio,  o museu. A dedicação e o zelo de Penafort fizeram Cametá ainda ter esse museu. Mas, infelizmente Penafort morreu e o museu – inobstante todo o cuidado das demais direções e funcionários – ficou  em situação  de indigência devido a  total falta de apoio e recursos. O prédio deteriorando e cheio de goteiras, tornava o local insalubre, colocando em permanente risco quem ali trabalhava e as peças  carentes de cuidado.

Felizmente após muita pressão – de quem se preocupa com o estado da cultura cametaense – ,  o poder público destinou espaço mais condizente para abrigar as peças do museu, precisando de  orientação que agora o SIM pretende suprir uma vez que é desejo da Secult, proceder  acertos   para  que  os museus municipais do Pará  façam parte do  Sistema e  recebam orientação técnica  ao seu funcionamento, e, claro, todos, continuarão sendo patrimônio do povo de  seus respectivos municípios.

Confesso ao leitor, particularmente, que, como cametaense da Vila do Carmo, escritor e cidadão do mundo, sofri e me indignei muito com a situação do Museu Histórico de Cametá. Faz-se  necessário mais  responsabilidade e cuidado  com o que resta da cultura   quatrocentona de Cametá , fundada oficialmente a 24 de dezembro de 1635 , mas já existente pelas mãos dos bravos Camutá desde 1612, portanto, antes mesmo da fundação de Belém e sempre carente de recursos, tendo em seu rico patrimônio, tudo para ser uma cidade que possibilite aos seus moradores o viver dignamente como ser humano através do  aproveitamento sócio-econômico de   sua  grandiosa  cultura: o casario antigo, a fala cametauara, as danças, os costumes, tradição, cozinha,  a arquitetura, política, nomes ilustres, a história do Pará feita e ali vivida, tudo pode ser  explorado economicamente  em proveito de todos de uma maneira diferenciada do  que costumeiramente  faz o consumismo neoliberal mecânico, perverso e sem fruição para os verdadeiros atores e sujeitos de sua vida e  do que é seu. O  povo cametaense pode fazer isso sacudindo  a poeira do atraso a que  historicamente  se deixou submeter  por ainda  não ter  assumido  para aproveitar , a seu favor,   sua história, sua identidade,  sua identificação e a sua significativa cultura. 

 

*Cólera Morbus – Nome da epidemia  que assolou o Norte do Brasil, em 1855, destacando-se, Belém e Cametá, pós revolução social do povo paraense, a Cabanagem -  1835 a 1840 – . Para saber mais,dentre outros, consultar: “Cólera, o flagelo da Belém do Grão Pará, de  Jane Felipe Beltrão; Rayol, Domingos Antonio – “ Motins Políticos…”   e  Salles, Vicente,   “ Memorial da Cabanagem”. 

 

O texto acima  saiu  em forma de  matéria  - adaptada e sintetizada para o espaço do jornal –  publicada na capa do caderno MAGAZINE, do jornal  O  LIBERAL , edição de domingo, 04 de janeiro de 2009, com o seguinte título: Patrimônio dos tempos do cólera”.

Prefeitura de Belém condecora o escritor Salomão Larêdo Janeiro 27, 2009

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No dia 12 de janeiro de 2009, em comemoração aos 393 anos  da  fundação de Belém,  o escritor Salomão Larêdo, recebeu da Prefeitura Municipal de Belém, a maior comenda do município, denominada  “ Medalha do Mérito Francisco Caldeira de Castelo Branco”, fundador de Belém, em 1616.

A cerimônia aconteceu  às 19 horas no Cinema Olímpia, espaço cultural da PMB à Praça da República, presente diversas personalidades agraciadas com a  medalha.

A Prefeitura de Belém comunicou ao escritor a aprovação de seu nome para o recebimento da medalha num reconhecimento do governo municipal  a expressão intelectual e referência pública cultural que é referido escritor.

O Google encontra quase tudo… Junho 17, 2008

Posted by cametaforas in BUSCA, HUMOR, POLÍTICA, Sem-categoria.
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MAPARÁ, PATRIMÔNIO CULTURAL DE CAMETÁ Maio 27, 2008

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Cametá, “papamapará”. Assim se  mexia com o cametaense até a década de  1970. Em 1984, a hidrelétrica de Tucuruí foi inaugurada  e a água do rio Tocantins sofreu  enormes  mutações, como ser estrangulada, com impedimento à  navegação à  jusante e à montante da barragem e outras mudanças  de ordem sócio-ambientais  que  alteraram  o modo de vida do  ribeirinho que viu a  transformação: água ter cor, sabor e odor. Mudou de cor, o sabor e o cheiro, desagradáveis, muito limo, piolho d’água e o areal que está tornando  praia o que antes era água. Um desastre  ecológico que tem derrubado o cais da cidade de Cametá até hoje sem conserto.

E o mapará que bamburrava nas águas tocantinas da área de Cametá, sumiu e o pouco que  se encontra, concentrou-se  no lago de Tucuruí que nunca teve tradição piscosa do tipo mapará (hypophtholuns edenatus) .

Mas, o cametaense continuou convivendo com a fama de ser papamapará ou  de que “era papamapará” como passei a usar nos meus livros.

Bem lentamente começam a aparecer as camboas com o mapará cametaense, o pescador vê, com emoção o brilho prateado entre as canoas no bloqueio.  Há um aceno de esperança nesse meio de vida do caboclo mais consciente de sua ação no mundo que precisa de equilibrio sustentável nessas manejadas  políticas públicas impostas  pelo neoliberalismo econômico que só olha o lucro do capital, o homem da Amazônia se ferrando, feio.

Por isso, venho, antes que o mapará desapareça no mercado exportador, antes que algum aventureiro de outras plagas se aposse e aí seja   tarde demais,  na condição de cametaense, reivindicar  seja o mapará reconhecido como patrimônio cultural de Cametá,local   tradicional onde  ainda se pode saborear  tão gostoso prato, um petisco que pode e deve ser servido de todo tipo e jeito,dentre os quais: cosido , frito, moqueado , no lixo ou de barriga cheia, seco, com pirão de açaí, com feijão, no quitim, como café da manhã, no almoço ou no jantar, com farinha d’água ou seca, com pimenta, com limão, no tucupi, o lanzudo se presta até para adornar pizza e pode ser  feito no caldo  da vinagreira, com maxixe, limão azedo, na tala, assado e mil outros modo.

Você, leitor, sabe porque todo cametaense é inteligente?   Porque come cabeça de mapará, dizia o escritor conterrâneo Victor  Tamer e corroborado pelo poeta Alberto Mocbel, mestro Cupijó pelos famosos  artistas: Natal Silva, Kim Marques,  Ivan Cardoso, médicos Luis Malcher, Herundino Moreira e pelos lingüistas Danuzio Pompeu e Doriedson  Rodrigues e tantos outros  filhos de Cametá.

Quer comer mapará com açaí, farinha e aviú ?  Vá à Cametá  à festa de são João,no próximo mês de junho  e se empanturre de tudo o quanto tem de gostoso na cozinha cametauara e ajude a tornar o mapará  patrimônio cultural  de Cametá, com pitiú e tudo o mais.

Salomão Larêdo, advogado, escritor  e jornalista

(Publicado no Jornal O Liberal , edição do dia 26 de maio de 2008 – Belém – Pará )

Faroeste Caboclo – Incrível, mas ainda acontece por aqui… Maio 2, 2008

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Margem esquerda do Igarapé do Francez, município de Santa Cruz do Arari
– o terror foi desencadeado no início de março de 2008, quando o pistoleiro Piauí e outros capangas invadiram e atearam fogo em diversas casas de colonos na localidade de Francez, expulsando as famílias e saqueando suas residências. Segundo o relato do presidente da Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Comunidade de Francez, José Almir Alves da Costa, o ato de pistolagem se deu a mando do proprietário da Fazenda Santo Elias, sr. Guilherme Benchimol que, na manhã do dia 8 de abril, “ali chegou em uma voadeira juntamente com o pistoleiro Piauí e outros desconhecidos, com armas de fogo, que novamente deram o ultimato aos colonos para o abandono de suas residências em dez dias, pois se não saírem irão sofrer graves conseqüências”, sob a alegação de que as terras pertenceriam ao fazendeiro. Desde então, cerca de setenta famílias deixaram suas pequenas posses, escondendo-se em casas de parentes, como bandidos fossem, ou mesmo deixando a localidade com medo de sofrer as “graves conseqüências”, como ameaçou o pistoleiro. Piauí, também conhecido como José Amoedo, é bandido conhecido na região de Cachoeira e Santa Cruz, tendo cerca de vinte denúncias por homicídio, sempre de forma violenta, a serviço de fazendeiros inescrupulosos.
Na seqüência dos fatos, na manhã do dia nove, a professora da pequena escola da localidade foi procurada por algumas famílias que tiveram as casas queimadas e saqueadas, e cedeu a escola para que guardassem o que restou de seus pertences. Sem ter a quem recorrer, pois o presidente da Associação não estava na região, os moradores conseguiram uma rabeta e pediram à professora que acompanhasse um grupo para ir à delegacia de Santa Cruz do Arari, onde foi registrado o ato criminoso dos capangas do fazendeiro Guilherme Benchimol. Aconselhado a procurar a Juíza e a Delegacia em Cachoeira do Arari, o grupo seguiu para esta cidade vizinha onde o presidente da Associação prestou Termo de Declaração no dia 25 de abril, permanecendo o grupo até o dia 29 em Cachoeira, sem recursos e ameaçados de morte caso voltem à comunidade, conforme telefonema recebido na própria Delegacia de Cachoeira citando especificamente a professora – consta que o pistoleiro aguarda o grupo no caminho de volta. No entanto, na madrugada do dia 30, o grupo de moradores voltou de motor para o Francez, mesmo correndo perigo de vida, enquanto a professora permaneceu em Cachoeira acompanhando o andamento das investigações.
O Igarapé do Francez divide os municípios de Anajás e Santa Cruz do Arari, na região dos campos da Ilha do Marajó. A comunidade fica em sua margem esquerda e a escola na margem direita (município de Anajás), atendendo sessenta e três alunos dos dois municípios. As terras em litígio localizam-se no município de Santa Cruz do Arari e compreendem uma área de pouco menos de seis mil hectares, demarcadas em 22 de abril de 2004 pelo Instituto de Terras do Pará – ITERPA como de propriedade da Associação dos Pequenos Produtores Rurais da Comunidade Francez, segundo o protocolo no. 2002/308531.
Em outro documento – certidão emitida em 27 de agosto de 2003 – a Gerência Regional de Patrimônio da União no Pará e Amapá – GRPU/PA-AP certifica a tramitação do processo de no. 05010.001401/2003-32 referente ao pedido da Associação de cessão de uso da área caracterizada como terreno de marinha e de propriedade da União, destinada à implantação de projeto de Manejo Florestal Sustentado de Açaizeiro. No decorrer desse processo, ao final de 2007 foram emitidos pela GRPU/PA-AP os primeiros Termos de Autorização de Uso “para o desbaste de açaizais, colheita de frutos ou manejo de outras espécies extrativistas”, como consta no Termo de no. 5503/2007, emitido em 26 de novembro a favor de Benedito Cordeiro da Silva, um dos moradores que teve parte de sua residência queimada pelos bandidos.
Hoje, segundo o presidente da Associação, José Almir, vivem no Francez mais de cem famílias, das quais cerca de setenta estão escondidas com medo da ação dos pistoleiros de Benchimol. Acostumados na antiga e perversa tradição do coronelismo e na prática da “meia”, vários fazendeiros do Marajó lucram com a exploração do trabalho escravo das famílias que residem em “suas terras” há gerações, conforme denunciou Benedito Cordeiro. Outro caso recente que bem ilustra essa prática criminosa ocorreu ao final de 2007 quando Teodoro Lalor, colono da localidade de Gurupá no município de Cachoeira do Arari, sofreu perseguição e foi preso por denúncia do fazendeiro Liberato de Castro.
Lalor ocupa uma área de manejo de açaí pretendida por Liberato, mas ganhou na Justiça a autorização de uso e enfureceu o fazendeiro que explora outras áreas na região de Cachoeira e Ponta de Pedras com a prática da “meia” – o colono colhe o açaí e metade fica com o fazendeiro. Em janeiro de 2008, doente e internado no Hospital de Cachoeira, Lalor recebeu a solidariedade de colonos de toda a região que realizaram duas passeatas pelas ruas de Cachoeira com apoio da Federação dos Trabalhadores na Agricultura – FETAGRI/PA, e teve a prisão revogada por ordem da Juíza da Comarca.
No entanto, enquanto Piauí e seus comparsas, a mando de Guilherme Benchimol, aguardam o retorno dos colonos do Francez na curva do rio acostumados nos desmandos do coronelismo e na certeza da impunidade que o isolamento do Marajó sempre facilitou, as notícias agora viajam na velocidade da internet, importante arma na luta pelos direitos humanos e pela terra a quem nela trabalha.
Cachoeira do Arari, abril de 2008

MOCBEL, CUPIJÓ, PENAFORT Abril 11, 2008

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A biblioteca pública de Cametá ainda não tem nome. Deveria denominar-se Victor Tamer, possante escritor cametaense e passar a funcionar no antigo grupo escolar Dom Romualdo de Seixas, um prédio histórico, bonito, na Praça dos Artistas, ao lado do prédio sede da administração municipal, que foi repintado. É amplo e pode suportar climatização boa, iluminação correta, móveis apropriados e bom acervo para ser usado e utilizado na formação do leitor com espírito crítico. Cametá progredirá muito se investir em educação e cultura que se dá por meio da leitura e para que isso seja uma realidade concreta, é preciso que tenhamos muitas bibliotecas e salas de leitura em todo o município. Exemplo recente é a sala de leitura da comunidade do Cuxipiari, idéia e implementação do professor Orlando Cassique Alves, ação de formar leitor que se espraia pelo Paruru, Carapajó e adjacências.No espaço físico desse grupo escolar acima citado poderia funcionar também um auditório, área para restauração de acervo como pinturas, telas, livros, jornais, revistas. Poderia ter uma hemeroteca, gibiteca, brinquedoteca e videoteca, além de uma fonoteca denominada mestre Cupijó.Venho solicitar ao prefeito de Cametá, que programe grande homenagem ao poeta Alberto Mocbel e ao maestro Cupijó (Joaquim Castro) .Mocbel além de ser ex-prefeito de Cametá, é o grande poeta da terra dos Romualdos. Nome de expressão na literatura nativa, dono de grandes obras literárias, Alberto Mocbel é um intelectual que orgulha e enobrece sua terra e sua gente e está , sabiamente, acima de quaisquer questões partidárias.Mestre Cupijó, é o nosso maestro contemporâneo, autor de importantes peças do cancioneiro popular cametaense, pesquisador, arranjador e mestre de gerações, band-leader e que forma, ao lado do poeta Alberto Mocbel, parceria das mais prolíficas há muitos anos.Cupijó e Mocbel merecem de há muito, que suas obras sejam editadas pelo poder público em alto estilo para que novas gerações se abeberem nessas sábias fontes. Aproveite, caro prefeito, o ensejo, e na mesma oportunidade preste homenagem post-mortem à família de músicos Satiro de Melo, ao escritor Victor Tamer, amante e defensor de Cametá e sua gente e outra de igual tamanho ao ilustre santeiro Raimundo Penafort, ambos falecidos recentemente. Aproveite a noite da cultura e valorize e destaque Juvenal Tavares, Ignácio Moura, Luis Barreiros, escritores de renome estadual e nesse diapasão, lembre dos bispos cametaenses: Romualdo Coelho, Romualdo de Seixas e Milton Pereira. Recorde dos artistas plásticos Andrelino Cota, Jeremias Rodrigues, dos juristas Edgard Olinto Contente e Octavio Mendonça e tantos e tantos outros.Quem ganha com isso é Cametá porque demonstra que valoriza sua história, sua cultura e seus artistas.Salomão Larêdo, escritor e jornalista

Salomão Laredo (Publicado na edição do dia 19.03.2008 de O Liberal)

Eleições 2008 – Legislação Abril 4, 2008

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Lista com as Normas e Resoluções para as Eleições Municipais 2008 (Arquivos em PDF)

Res 22.712 – Atos Preparatórios, Recepção de Votos, Garantias Eleitorais, Totalização dos Resultados e Justificativa Eleitoral

Res 22.715 – Arrecadação e Aplicação de Recursos por Candidatos e Comitês Financeiros e Prestação de Contas nas Eleições Municipais de 2008

Res 22.716 – Formulários a serem utilizados nas Eleições Municipais de 2008

Res 22.717 – Escolha e Registro de Candidatos nas Eleições Municipais de 2008

Res 22.718 – Propaganda Eleitoral e Condutas Vedadas aos Agentes

Res 22.719 – Cédulas Oficiais de Uso Contingente para as Eleições

Res 22623 – Pesquisas_Eleitorais

Res 22.624 – Representações, Reclamações e Pedidos de Resposta

Res 4324 – Competencias Juizos EleitoraisEleicoes 2008

Locais de Votação em Belém

Locais de Votação no Pará

Links no site do TSE

Jirau da Literatura Paraense Março 31, 2008

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Será lançado hoje, às 19h, no Cine Líbero Luxardo (térreo do CENTUR) o I Jirau da Literatura Paraense. Um precioso e democrático espaço de divulgação, comercialização e intercâmbio da literatura paraense.
O evento promovido com parcerias entre a Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves – FCPTN, Secretaria de Estado de Cultura – SECULT, Secretaria de Educação – SEDUC e União dos Escritores e Artistas da Amazônia – UEAMA, viabilizará o encontro dos autores, suas obras e produção de todo tipo e gênero com a comunidade em todos os segmentos sociais.
O lançamento contará com apresentação Lítero-musical dos artistas Renato Torres e Dionelpho Júnior (entrada franca).

Mais informações no site da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves – FCPTN

Parabéns aos responsáveis pelo evento.  Vida longa ao Jirau!

A asa e a serpente (primeiro livro de Andara) Março 24, 2008

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Vicente Cecim 
Minha mão esquerda está cuidando da direita como se fossem dois irmãos

E há aves caindo do céu e se transformando em terra. A mão direita que ainda mata

Bem no começo da viagem, é preciso dizer o que contém este primeiro livro. Ele é o relato da aparição de uma assombração militar em Santa Maria do Grão.

Esta viagem a Andara
E aonde mais?
Na vida.
Andara é perto e longe. Andara está dentro de ti. E fora. E dentro de mim.
Diz a voz

Esta voz
E agora, se vocês já estão prontos para as febres do sangue sem esperança de um prisioneiro da cabeça escura e das idades do homem
Já?

Mais tarde teremos um dia na vida do homem sem memória.
E depois, arte mecânica e revolta.
Isso anuncia dois finais. Falsos. Para escolher

E bem no finzinho, cairá a chuva.
Mas essa, irmãozinhos, é uma outra, e rara, chuva
Eles ainda entregarão outras crianças às águas, arrastados pelo desejo de tocar o fundo

Por que estas palavras, e não outras, para contar pela primeira vez a vocês a história?

Agora passo a narrar, sem fôlego,
às vezes alegre, às vezes triste,
todo o conteúdo de um dos meus sonos.
Um dos mais reais

Tudo se dá aqui, entre luzes e sombras.
E não lá, onde respira o vapor dos venenos cotidianos o leitor impossível de tocar de outro modo, à traição. Com estas mãos. As mesmas que revelarão uma última porção de terra fértil na palma,
depois que o último homem houver passado,
distraído,
olhando os pés que vão porque querem ir como os olhos vão porque querem ir neste texto que fala de uma tarde dada ao acaso.
O morto voltou numa tarde. Então começo por essa tarde.
Também voltam os guinchos e os animais que fazem uma careta cômica para a origem do bem e do mal.
Eu falo do tecido fino onde a vida dá sentido à vida.
E este é o relato.
Nele, vocês verão apenas dois focinhos humanos.
O meu e o do sargento Nazareno.
Os outros estarão velados pela noite de uma fábula detestável.
Mas ao mesmo tempo é uma atmosfera limite o que me leva esconder as identidade das suas carnes e a intenção de dar a vocês um jogo e um ingrediente do susto infantil
A memória. Um retorno sobre os mesmos passos para onde quer que se vá.
Mas não neste caso, talvez
Será uma fala da outra voz a invenção do Nazareno e desta história escura, estremecida de relâmpagos em plena estação do medo

Meti a mão no passado,
mas é um passado que guardo na memória sem ter vivido um só momento dele, eu não estive lá
para extrair um fantasma assim sem vida, um tanto estragado e mutilado depois que o matei pela primeira vez. E sujo de terra depois que eu o enterrei com a ajuda de um cortejo de miseráveis e infelizes criados pela imaginação, ou sonhados. Ou é sem dúvida a memória. Ou dos quais apenas me lembro desde que comecei a falar de improviso, sem nenhuma realidade sob os pés.

E no entanto eu não minto
Tenho ainda um olho vivo e este outro olho, morto, enterrado na cara. Mas ele é necessário, como verão. Sem ele não teríamos um morto de volta à vida.
E é pelo segundo olho, o que morreu, que posso jurar
Embora seja o primeiro que veja que estamos prontos para dar início.
- Tu és pó e do pó retornarás.

Esta é a operação revoltada que alterará o passado e a tradição dos circos ambulantes, pela substituição de uma única letra numa voz que fala de fatalidade

E assim caímos, ou volta à tona o texto, no momento exato em que o Nazareno está regressando para começar a sua segunda vida, na qual ele recusará todo o horror e as cruzes de vidro que o dia de ontem alimentou no seu ventre com rações de violência. Não teremos mais seus dentes à mostra. Eu falo de um homem que dirá adeus às cidades e penetrará num rio com vegetais vermelhos, em busca da felicidade, com uma provisão de mistérios em cada lábio.

Eu e os infelizes havíamos enterrado o seu corpo, depois que eu o matei, num caixão capaz de resistir ao ódio de um morto à traição.

Mas a sua volta era a evidência, em pleno ar daquela tarde, de que nem a madeira mais dura pode resistir à outra intenção com que eu conto esta história.

O Nazareno voltava.
E carregava seu caixão na cabeça. Ia entrando, com passos exaustos, pela rua que o levaria à sombra dos monumentos irônicos que espiam a vida na praça de Santa Maria do Grão enquanto olhos ocultos o viam chegar. E não respire, não viva. Ninguém quis acreditar no que viu

Ele estava acabado como um morto que segue em busca de uma estrela, naquele fim de tarde de resto igual aos outros, lento, parando para se deixar engolir pela noite.
Quando parou, espanto e medo. Estava onde eu temia. Vi que era o mesmo lugar onde eu havia espetado o seu corpo com a faca,
uma emoção do rancor. Uma sombra de homem com uma faca por trás de um homem adormecido.
Digo tudo o que vi no meu sono. Sem pudor.
Ele sentou. E era o chão onde eu fiz correr um mar vermelho, o sangue apagado pela memória das testemunhas e, também, pelos pés do acaso fazendo a sua passagem por ali
Pôs o caixão do seu lado. Apoiou a costa na parede de uma casa. A costa onde haveria uma cicatriz azul, ao redor da ferida,
ou nada. Tudo podia ter sido apagado pela morte. E sua cabeça caiu da altura de um abismo para a paz do seu peito, um jardim sem piedade.
Afundando assim, ele dormiu. E esqueceu que havia voltado.
E veio a noite com um vento negro, que deu fim em alguns homens, espetáculo rodopiante de desesperos e gritos.
As mulheres e as crianças, porém, ousaram sair para as ruas e não foram molestadas por estranhos. É assim a vida.

Quem inventou esse vento?
O medo, que voltava, como antes, junto com o morto.
Ou ele é apenas o efeito artificioso com que quero instalar, assim logo de início, uma atmosfera ainda mais suspeita para fortalecer este meu relato suspeito e destroçar todo o poder infantil que vocês têm de aplacar as tempestades.
Escolham